A última etapa dos nossos dias será mesmo o tempo da melhor idade? Já chegando nesta fase, começo a acreditar que essa definição foi criada para atenuar uma tristeza natural que começa a tomar conta da gente quando a “melhor idade” chega. Tristeza de percebermos que a qualquer hora podemos deixar essa realidade, a qual damos o nome de vida, que é tão bela!
Em “Confirmações”, texto publicado na Folha de São Paulo, o poeta Rubem Alves (que já foi pastor), descreve situações do cotidiano que evidenciam quando chegamos na melhor idade. Uma das cenas comuns é as pessoas levantarem-se em metrôs, ônibus, em banco de praça, para nos oferecer o lugar.
Outro dia observei a minha esposa que pelo menos em lugares como fila de banco e de supermercado eu terei a vantagem da preferência. Mas, convenhamos, é uma vantagem que não gostaríamos de ter, não é mesmo? E quando os anos avançam ainda mais, que precisaremos da ajuda de alguém para atravessar a rua?
Os amigos, parentes e mesmo estranhos que são solícitos nesta época da vida, a da melhor idade, “sabem a verdade obvia: nossa idade não é a melhor idade”, escreve Rubem Alves, que anda meio profético, ultimamente, em relação ao fim de seus dias. E se alguém acha que um cristão não deveria lastimar-se pelas limitações da idade avançada, o sábio Salomão registra: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias e cheguem os anos em que dirás: não tenho neles prazer”.
Mas, a velhice não precisa ser, necessariamente, um período de tristezas. A mesma Bíblia registra que os justos ainda na velhice darão frutos. E que consolo temos no Salmo 103, que ilustra a extrema bondade de Deus para com seus filhos: "Na velhice esses ainda poderão ser fartos de bens! Aleluia!
VSM - Castanheira MT.